Tenho a leve impressão que sou estranha. Tenho gostos extremos por coisas estranhas. Sempre gostei de caras totalmente distintos. Mais velhos, mais novos, loiros, morenos, altos e baixos. Meu coração tem um leve desejo pelos tipos diferentes. Minha mãe sempre disse que não sabe o que eu quero. Quero todos, mãe. Desejo almas diferentes.
Eu nunca encontrei uma alma como a dele. Até hoje. De todos esses que conheci, nenhum deles tiveram a doçura, a maturidade, a transparência que ele tinha comigo. Ele me tomava em suas mãos, como se eu fosse algo raro e frágil, como se por um movimento brusco eu fosse quebrar. Eu gostava do modo como ele me tratava. Eu me sentia uma em um milhares e milhares que existem por aí a fora.
E então eu desisti de tudo. Joguei tudo para o alto quando percebi que estava realmente amando ele. Não apenas uma noite. Mas um amor de verdade. Eu fiquei com medo. E me afastei, joguei tudo fora. T.u.d.o. E fugi. Corri. Me escondi. Achei que poderia construir muros a minha volta. Depois me apaixonei por outros de novo. E sempre o mesmo resultado. Talvez o que eu quero é não me apegar. Não perder minha liberdade. Que droga. Acho que tenho um problema sério aqui.